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Projeto "Católicos voltem para casa".

18/08/2017

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Reportando-nos aos primórdios  da tradição católica, deparamo-nos com a iniciação a fé cristã impulsionada pela patrística de Cirilo de Jerusalém, que se dedicava a instruir os adultos convertidos que se juntavam ao cristianismo. Desde o começo de seu ministério episcopal, São Cirilo  mostrava  um dom especial ao ensinar o Evangelho,  sempre  dedicando  especial atenção  aos catecúmenos e aos neófitos. 

 

Cirilo de Jerusalém é venerado como Santo pela Igreja Católica, Igreja Ortodoxa e pela Comunhão Anglicana. Sendo declarado em 1883, Doutor da Igreja pelo papa Leão XIII. Ele foi o bispo da Igreja de Jerusalém, em sucessão ao bispo Máximo III, entre 350 e 386, experimentando interrupções ao seu trabalho, em decorrência da  controvérsia ariana¹. Apesar de tal fato, o  trabalho missionário, catequético e doutrinário de São Cirilo resistiu a todas essas provações e chegou até os dias de hoje, deixando um  legado de tal monta, que nos permite compreender com clareza a  Iniciação   Católica vivenciada naqueles tempos.

 

Sua obra-prima foi  "Aulas Catequéticas", que tinha por objetivo educar os catecúmenos , tendo sido de  grande importância para o entendimento do método de ensino e das práticas litúrgicas utilizadas , constituindo, provavelmente, o mais completo registro do tipo ainda existente.

 

Pouco se sabe sobre sua vida antes do episcopado e a data de seu nascimento varia entre 313 e 315. De acordo com Butler, Cirilo nasceu na cidade de Jerusalém ou perto dali e aparentemente foi educado tanto nas obras dos Padres da Igreja quanto na dos filósofos pagãos.

 

Cirilo foi ordenado diácono pelo bispo Macário de Jerusalém em 335 e padre oito anos mais tarde pelo bispo Máximo III. No fim de 350, ele o sucedeu na sé de Jerusalém.

 

As famosas vinte e três aulas de Cirilo, destinadas aos catecúmenos de Jerusalém que se preparavam para o batismo, chamadas por isso de catequeses , são melhor apreciadas quando divididas em duas partes: as primeiras dezoito são geralmente conhecidas como "Aulas Catequéticas", "Orações Catequéticas ou "Homilias Catequéticas" e as cinco últimas, como "Catequeses Mistagógicas", chamadas assim por tratarem dos "mistérios" , ou seja, os sacramentos do batismo, da confirmação e da eucaristia.

 

Assume-se geralmente que as "Aulas Catequéticas", com base em evidências limitadas, teriam sido compostas ou ainda nos primeiros anos do episcopado de Cirilo (por volta de 350) ou em 348, quando Cirilo era ainda um sacerdote representando seu bispo, Máximo. Elas foram ministradas no Martyrion, a basílica construída pelo próprio Constantino.

 

As Aulas catequéticas  trazem instruções sobre os principais tópicos da fé e da prática cristã de maneira mais popular do que científica, cheias de exemplos de caloroso amor e cuidados pastorais pelos catecúmenos, o público a quem elas se destinavam. Cada aula baseia-se num texto das Escrituras e há abundantes citações bíblicas por todo o texto. Nas "Aulas Catequéticas", em linha com a exposição do Credo típico de Jerusalém na época, aparecem vigorosas polêmicas contra pagãos, judeus e erros heréticos. Elas são de grande importância para o entendimento do método de ensino e das práticas litúrgicas geralmente utilizados na época, provavelmente o mais completo registro sobrevivente.

 

Texto da Catequeses Mistagógicas de Cirilo :

 

“Quanto a mim, recebi do Senhor o que também vos transmiti” etc. (1Cor 11,23). Esta doutrina de São Paulo é bastante para produzir plena certeza sobre os divinos mistérios pelas quais obtendes a dignidade de vos tornardes concorpóreos e consanguíneos de Cristo.

 

Quando, pois, ele mesmo declarou do pão: “isto é o meu corpo”, quem ousará duvidar?

E quando ele asseverou categoricamente: “isto é o meu sangue”, quem ainda terá dúvida, dizendo que não é?

Outrora, em Caná da Galiléia, por sua vontade, mudara a água em vinho, e não seria também digno de fé, ao mudar o vinho em sangue?…

 

É, portanto, com toda a segurança que participamos de certo modo do corpo e sangue de Cristo: em figura de pão é deveras o corpo que te é dado, e em figura de vinho o sangue, para que, participando do corpo e sangue de Cristo, te tornes concorpóreo e consanguíneo dele. Passamos a ser assim Cristóforos, isto é, portadores de Cristo, cujo corpo e sangue se difundem por nossos membros. E então, como diz S. Pedro, “participamos da natureza divina” .

 

Não trates, por isso, como simples pão e vinho a este pão e vinho, pois, são, respectivamente, corpo e sangue de Cristo, consoante a afirmação do Senhor. E ainda que os sentidos não o possam sugerir, a fé no-lo deve confirmar com segurança. Não julgues a coisa pelo paladar. Antes pela fé, enche-te de confiança, não duvidando de que foste julgado digno do corpo e sangue de Cristo.

 

Ao te aproximares, não o faças com as mãos estendidas nem com os dedos separados. Faze com a esquerda como um trono na qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da palma, recebe o Corpo de Cristo, respondendo: “Amém”. Com segurança, então, depois de santificados teus olhos pelo contato do santo corpo, recebe-o, cuidando para nada perderes… Depois, aguardando a oração, dá graças a Deus que te fez digno de tão grandes mistérios.

 

Conservai invioláveis estas tradições, guardai-as sem falha” (Catequeses Mistagógicas).

 

 

Nota :

 

1 - Doutrina herética de Ário 250-336, padre cristão de Alexandria (Egito), que afirmava ser Cristo a essência intermediária entre a divindade e a humanidade, negava-lhe o caráter divino e ainda desacreditava a Santíssima Trindade.

 

Fontes: 

 

http://arquisp.org.br/liturgia/santo-do-dia/sao-cirilo-de-jerusalem

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cirilo_de_Jerusal%C3%A9m

https://pt.wikipedia.org/wiki/Controv%C3%A9rsia_ariana

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-cirilo-de-jerusalem/359/102/

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