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A alma em Santo Agostinho.


Imagem Shutterstock

Santo Agostinho viveu “ na passagem do mundo grego-romano para a Idade Média, cujo valor preponderante era o cristianismo”(ABRÃO, 1999,p.99). Nestes tempos, o platonismo era um instrumento importante para a formação da intelectualidade e ao integrá-lo as suas reflexões, o bispo acabou por tornar-se o filósofo mais proeminentes de sua época, elaborando o que viria ser chamado de “filosofia cristã”.


A Grandeza da Alma foi um de seus primeiros livros e provavelmente foi escrito por volta do ano de 388, em Roma. Neste livro, Agostinho abordava seis questões básicas: de onde vem a alma; O que é; Qual a sua grandeza; Por que foi dada ao corpo; Como se une ao corpo e Em que se converte quando o deixa. Agostinho responde as duas primeiras, atem-se a terceira e na conclusão, convida ao leitor a utilizar as respostas anteriores para buscar as demais.


Em síntese, podemos afirmar que “Agostinho defende que a alma é a presença de Deus no homem, a sua ligação com o Criador, a responsável pela semelhança do homem com Deus. Não é formada pelos elementos conhecidos à época (ar, água, terra e fogo), mas de uma natureza profundamente diferente da matéria. Enquanto a grandeza dos corpos materiais são definidos pela extensão (comprimento, largura e profundidade), a grandeza da alma é dada pela potência. Enquanto o homem cresce, sua alma também cresce, mas pela aquisição da sabedoria, que nada mais é que uma recordação, pois Deus a criou com o conhecimento da verdade”¹ .


Agostinho defendeu a superioridade da alma humana, isto é, a supremacia do espírito sobre o corpo, a matéria. A alma teria sido criada por Deus para reinar sobre o corpo, para dirigi-lo à prática do bem. O homem pecador, entretanto, utilizando-se do livre-arbítrio, costuma inverter essa relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma. Provoca, com isso, a submissão do espírito à matéria, equivalente à subordinação do eterno ao transitório, da essência à aparência. Mas, a verdadeira liberdade estaria na harmonia das ações humanas com a vontade de Deus. Ser livre é servir a Deus, pois o prazer de pecar é a escravidão.


Segundo o filósofo, o homem que trilha a via do pecado só consegue retornar aos caminhos de Deus e da salvação mediante a combinação de seu esforço pessoal de vontade e a concessão, imprescindível, da graça divina, ou seja, sem a graça de Deus, o homem nada pode conseguir. Agostinho assevera que nem todas as pessoas são dignas de receber essa graça, mas somente alguns eleitos, predestinados à salvação. (COTRIM, Gilberto. Fundamentos De Filosofia, editora: Saraiva, 15ª ed. 2000. p.119)


Como se vê, as obras de Santo Agostinho sofreram influência da filosofia platônica, que era bastante familiar aos homens de seu tempo, sendo particularmente útil para veicular a doutrina Cristã e combater heresias. Suas reflexões filosóficas sobre a alma, constituem um bom exemplo para aferirmos o quanto a filosofia cristã influenciou o pensamento moderno, ao ponto de hoje, encararmos a dualidade entre corpo e alma de forma natural.


1-http://caminhadafilosofica.com/filosofia-e-religiao/resenhas/santo-agostinho/a-grandeza-da-alma---santo.html






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