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Projeto "Católicos voltem para casa".

18/08/2017

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A tendência humana para a comunhão chega a seu apogeu na comunhão com Jesus Cristo e com toda a humanidade, coisa que Santo Agostinho descreve na configuração do Cristo total. O corpo humano como imagem de uma comunidade tem uma grande força expressiva porque ninguém ignora a articulação dos membros e funções do próprio corpo. O texto paulino de 1Cor 12,12-27 serve a ele de apoio para reflexão do Cristo total.

 

Não quer tanto fazer que Cristo represente a cabeça e nós os membros, quanto que Cristo é a cabeça e os membros ao mesmo tempo. “Jesus Cristo, Senhor nosso, enquanto varão perfeito é íntegro, é cabeça e corpo. A cabeça é aquele homem que nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi sepultado, ressuscitou, subiu ao céu, está sentado a direita do Pai donde esperamos que virá a julgar vivos e mortos. Essa é a cabeça da Igreja (Ef 5,23). O corpo que corresponde a essa cabeça é a Igreja, não a que aqui se encontra, mas aquela que, além de estar aqui, se encontra em todo o universo terrestre; e não apenas a Igreja desta época, mas também a que desde de Abel abrange a todos quantos haverão de nascer e acreditar em Cristo até que chegue o fim dos tempos, o povo íntegro dos santos que pertencem a única cidade. Cidade que é o corpo de Cristo, corpo que tem por cabeça o próprio Cristo... Conheçamos, pois, o Cristo total e íntegro unido na Igreja; o único que nasceu da Virgem Maria, Cabeça da Igreja, isto é, o mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus (1Tm 2,5)” (Comentários aos Salmos 90,2,1).

 

Santo Agostinho leva até as últimas consequências a ideia de um Deus feito carne em Cristo. Centralizar a vida em Deus ou no homem não é atitude cristã. É necessário servir a Deus no ser humano. “Cristo ainda se encontra necessitado aqui, ainda é peregrino deste mundo, adoece e é feito prisioneiro” (Comentários aos Salmos 86,5). Esta visão agostiniana de Cristo total adquire um incomensurável valor teológico e humanista e é razão mais profunda da verdadeira solidariedade. Num mundo de constantes agressões e de violência sofisticada, é tão difícil a fé em Deus quanto à fé no homem.

 

Outra aplicação da ideia do Cristo total está relacionada com a configuração da comunidade cristã. Também os pastores formam parte do rebanho. Jesus remove o modelo de autoridade que então vigorava e inova com uma sociedade circular. Porque “da mesma forma que chamamos cristãos a todos os ungidos pelo místico crisma, assim também podemos chamar sacerdotes a todos eles por serem membros do único sacerdote. Deles diz o Apóstolo Pedro: Estirpe eleita, sacerdócio régio” ( A Cidade de Deus 20,10).

 

Enfim, aplica-se esse símbolo do Cristo total a humanidade de Jesus que transpõe a barreira de sua morte e se prolonga e faz presente ali onde houver alento humano. “Não te queixes, e muito menos ainda murmures por teres nascido nestes tempos, nos quais não podes ver o corpo do Senhor. Podes, sim, pois Ele disse: o que tenhas feito a um destes meus pequeninos, a mim o terás feito” (Sermão 103,1,2).

 

Essa compreensão do Cristo total confere uma confiança incondicional no ser humano. Ninguém fica fora porque “tu és um homem só e teus próximos são muitos: pois, em primeiro lugar, não deves entender o próximo como se fosse algo semelhante a um irmão teu, consaguíneo ou parente legal. Pois todo homem é próximo para todo homem... Nada há tão próximo como um homem a outro homem” (Sermão sobre a disciplina cristã 3,3). A misericórdia e a compaixão devem chegar a onde parece que o homem tenha tocado seu fundo mais baixo de pobreza. “Tu, juiz cristão, cumpre o ofício de pai piedoso. Encoleriza-te contra iniquidade de sorte que não te esqueças da parte humana” (Carta 133,2).

 

 

Bibliografia:

Cf. Fraternidade Agostiniana Leiga. A caminho com Santo Agostinho. Publicações Agostinianas. Roma 2001.

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