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O tempo em Santo Agostinho


Agostinho de Hipona, conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo e suas obras foram muito influentes no desenvolvimento da Igreja e filosofia ocidental . Ao tomar por base a doutrina e tradição católica, Agostinho inovou apresentando um conceito de tempo que divergia do conceito greco-latino vigente em sua época.


Na estrutura linguística, simbólica e temporal da civilização moderna, geralmente emprega-se uma só palavra para significar a noção de "tempo". Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairós ¹. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico ou sequencial (o tempo que se mede, de natureza quantitativa), Kairós possui natureza qualitativa, o momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece: a experiência do momento oportuno. Kairós, também está associado a ideia de eternidade, porque os eventos se repetiriam no tempo continuamente .


Santo Agostinho acreditava que o tempo foi criado simultaneamente com o mundo e a história só poderia ser computada a partir desta criação, posto que, antes do mundo só havia Deus que é eterno e atemporal . Este entendimento emana com maior clareza em obras como “Cidade de Deus”, “Confissões” e “Sobre a Trindade” , dentre as quais podemos destacar o livro XI de Confissões, onde Agostinho aborda a seguinte questão:


“ O que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? ” e obtém-se a seguinte resposta: “ [...]Não temo afirmar que, antes de criardes o céu e a terra, não fazíeis coisa alguma”.


Complementa o doutor da Igreja:


“[...] se antes da criação do céu e da terra não havia tempo, para que perguntar o que fazíeis então? Não podia haver então, onde não havia tempo. ” (Agostinho – Confissões Livro XI.).


O pensamento de Santo Agostinho se coaduna com a tradição cristã e assevera que a história segue o projeto que Deus traçou para criação, iniciando-se no Gênesis e chegando a termo no Apocalipse. Esta linha temporal que vai da Gênesis ao Apocalipse, pode ser compreendida na teologia de Santo Agostinho como “A História da Salvação” e nela, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, vem ao mundo para intervir de forma decisiva, redimindo os pecados e conduzindo o homem à vida eterna. Na concepção de Santo Agostinho, o homem deve ter em vista a palavra de Deus e as intenções da Igreja, em preparação para uma realidade futura que virá no final dos tempos.


Ressalvados os outros significados devocionais cristãos , Santo Agostinho acreditava que a Cruz pode ser utilizada para simbolizar o tempo, uma vez que, a linha vertical que vem do Alto, revela a intervenção de Deus ao incidir sobre o mundo, que é representado pela linha horizontal.

Entendendo a palavra.

1 - Em teologia o termo Kairós é utilizado para descrever a forma qualitativa do tempo, como o "tempo de Deus" (a eternidade), enquanto khronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens".

Bibliografia:

Agostinho – Confissões Livro XI.

Enciclopedia Treccani

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