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Projeto "Católicos voltem para casa".

18/08/2017

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Sacramento: “ Sinal visível da graça invisível” - A imprescindibilidade dos sacramentos.

 

         O Catecismo da Igreja Católica ensina sobre a  importância dos sacramentos no plano da salvação. Segundo ele, “os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, mediante os quais, nos é concedida a vida divina” (1131). “A graça do Espírito Santo tem o poder de nos justificar, isto é, purificar-nos  de nossos pecados e comunicar-nos a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo” (1987). Sob moção da Graça o homem se volta para Deus e se afasta do pecado, acolhendo assim, o perdão e a justiça do Alto. “A justificação comporta a remissão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior” (1989). Com a justificação, a fé, a esperança e a caridade, se derramam em nossos corações e nos é concedida a obediência à vontade divina ( 1991).

 

          Àqueles que verdadeiramente creem, recebem a graça como um bálsamo que enche o coração de ternura, como ação de Deus, que transforma a vida e dissipa as angústias e as preocupações. É com a Graça concedida através dos sacramentos que o fiel reúne os requisitos necessários para que seja possível a sua união com Deus.

 

      Os não convertidos, seguindo uma lógica comum nos dias de hoje, questionam a imprescindibilidade dos sacramentos, por acreditarem que,  se Deus tivesse imposto a necessidade de se receber vários sacramentos para que o indivíduo pudesse ser salvo , inúmeras pessoas estariam   predestinadas  a condenação.

 

          Baseada na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e no Magistério, a  Igreja Católica foi capaz de reunir ao longo de mais de 2000  anos de sua  existência, o conhecimento  necessário  para que o homem estabelecesse uma relação cada vez mais próxima e eficaz com os mistérios de Deus. Os sacramentos praticados da forma preconizada pela Igreja Católica conduzem, amorosamente, o homem pelo caminho da salvação. 

 

          Decerto, que sem Igreja e sem sacramentos, Deus agiria  “de incógnito” , de uma forma estranha, pouco clara, que pouco teria a ver com nossa vida e, precisamente por isso, sua ação seria menos eficaz. Sem os sacramentos e sem rumos previamente estabelecidos, o indivíduo esperaria de maneira fortuita pelo momento transicional em que lhe  fosse concedida a Graça e a justificação.

 

          “Contrario sensu”,  algumas correntes doutrinárias  incutem a falsa noção de que o homem tem o poder de tomar nas mão as rédeas de sua vida e a partir daí,  conduzir-se em direção a verdade.  Deus, nesta hipótese, atua como mero espectador que ao largo, observa indiferente a peregrinação humana.  Reedita-se assim, o pecado original, conforme fez a  proposta pelagiana :

 

             A doutrina pelagiana, questionava a necessidade  de batizar as crianças em razão da falta de uma resposta pessoal para que o sacramento fosse efetivo. Não negava a eficácia do sacramento, nem se opunha ao batismo de crianças, ao qual reconhecia efeitos objetivos.  Porém, insistia que não era necessário para sua salvação, uma vez que a responsabilidade no mal é fruto da liberdade da pessoa e no tocante as crianças, estas são inocentes.

 

            Santo Agostinho, diante desta concepção, afirmará a universalidade do pecado original e a necessidade do batismo para todos, incluindo as crianças.  Agostinho   afirma que todos somos oriundos de Adão, o protótipo, a matriz concebida por Deus  que deu origem  a toda a humanidade. Quando Adão experimentou o fruto proibido que crescia na  árvore do conhecimento do bem e do mal, se viu forçado a ser  consciente , a discernir. O mau uso do livre-arbítrio   precipitou sua queda e  condenou  a todos a mortalidade. O protótipo  maculou-se com o pecado,  deixando-o como legado para sua descendência.  Para Agostinho, as crianças nascem com pecado, simplesmente por serem humanas. Daí, a necessidade de expurgá-lo através do batismo.

 

          O batismo é o caminho do reino da morte para a vida, a porta da Igreja e o começo de uma comunhão duradoura com Deus. Nesse sacramento o homem une-se a Cristo, pois ele é uma aliança com Deus, é a condição prévia para receber os demais sacramentos.

 

         Nos dias de hoje, o pelagianismo emerge  com novas vestes, impulsionado por um mundo caótico que induz a secularização. A civilização ainda ofuscada pela explosão tecnológica que nos últimos dois séculos, permitiu um desenvolvimento humano sem precedentes,  passou a dar a ciência o status de um “Deus” pagão, por acreditar que através dela, seria capaz de formular estratégias  que a levariam a solucionar as angústias  próprias da natureza humana. Ávida e visando saciar suas necessidades, nem todas justas ou louváveis,  não se deu conta de um potencial destrutivo. A ciência deixada ao abandono de um controle ético, transformou-se também em ameaça. Neste contexto onde se reconhece somente os bonus, tende-se a dar valor indevido as habilidades abarcadas pelo conhecimento, que assume forma de uma entidade estranha, que  tenta tomar o espaço que naturalmente é  ocupado por Deus no coração.

 

        As leis de Deus permeiam qualquer domínio da natureza; estão em nosso cotidiano; são eternas, perenes e imutáveis; independem de nossa interpretação ou de nossa vontade; são elas que nos movem e não o contrário.  São um caminho estreito : Leis de Deus, Ação de Deus, Palavra de Deus:

 

 “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida;

ninguém vem ao Pai, se não por mim.” João 14:6:

 

 

 

Bibliografia

 

Catecismo da Igreja Católica, 4 edição, Fevereiro de 2017 - Loyola

 

Estudo do Caderno de Espiritualidade Agostiniana – Rámon Sala, OSA, nº 40 - Federação Agostiniana Brasileira (FABRA) - Sacramentos, parte V - por Fraternidade Agostiniana Leiga -  Núcleo Nossa Senhora das Graças.

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