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Projeto "Católicos voltem para casa".

18/08/2017

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O catecumenato na antiguidade.

 

           A preparação para o batismo vem sofrendo variações no curso dos muitos séculos de existência da igreja. Tais mudanças ocorrem naturalmente, para acompanhar  as  transformações  sociais e culturais  a  que vem sendo submetido  o povo de Deus. Nos dias de hoje, o Catecismo da Igreja Católica, orienta    que a preparação do catecúmeno deve  guardar alguns elementos essenciais: o anúncio da palavra, o acolhimento do evangelho que traz consigo   a conversão, a profissão de fé, o Batismo, a efusão do espírito santo e o acesso à comunhão eucarística.

          

           Na antiguidade, outra era a realidade. Segundo Hipólito de Roma (traditio Apostolica),  o catecumenato podia durar até três anos e o neófito, tal como os dias de hoje, deveria compreender um certo ensino dogmático e moral  ao qual já se dava o nome de catequese (ação de fazer ressoar). Hipólito  afirmava que a catequese era ministrada por um douto que podia ser clérigo ou leigo. Cada instrução era seguida  de uma oração em comum e acompanhada da imposição das mãos. Ao término do catecumenato, examinava-se a conduta dos candidatos. Na sexta-feira precedente ao batismo, os catecúmenos jejuavam. No sábado o bispo impunha as mãos sobre os candidatos e os exorcizava , a noite se reuniam para orar, ouvir leituras e instruções e eram batizados (exorcismo, sinal da cruz, consagração dos óleos , abjuração dos demônios, deposição das vestes, unção, profissão de fé, tríplice imersão, imposição das mãos e unção). Após o batismo os neófitos participavam da eucaristia.

 

          Na Igreja antiga, a preparação para o batismo era, sem dúvida, a estrutura pastoral mais importante e efetiva da Igreja. O neófito  era submetido a  um longo processo que , normalmente,  se estendia  por  vários anos, durante os quais os candidatos se submetiam a catequese, a penitência e a oração.

 

         Na época de Agostinho o processo catecumenal   se reduzia  praticamente a quaresma, como tempo de penitência (oração, jejum, esmola), ensinamento doutrinal (forte catequese bíblica, explicação do símbolo ou credo e do Pai-Nosso, que deveria ser aprendido e recitado diante da comunidade de fé) e iniciação litúrgico-ritual (liturgia da Palavra e reuniões especiais para os escrutínios, exorcismo e outros ritos).

 

         O bispo intensificava sua participação pessoal na catequese durante a quaresma, cuidava especialmente das homilias dominicais e se reservava as sessões de catequese mistagógicas (sobre os mistérios sacramentais) aos neófitos ou recém batizados durante a época da Páscoa.

 

         Agostinho não escreveu nenhum “catecismo” ou síntese sistemática sobre o sacramento do batismo. Seu ensinamento sobre o mesmo se encontra ao longo de toda sua pregação e também nas obras que redigiu para enfrentar duas das mais conhecidas heresias da África cristã de sua época: o donatismo, que negava o valor do batismo administrado por ministros indignos ou heréticos e o pelagianismo, que negava o pecado original e, portanto, negava a necessidade do batismo de crianças.

 

Nota da Fraternidade Agostiniana Leiga : para saber mais sobre sacramentos segundo Santo Agostinho, veja sacramento: sinal visível da graça invisível, a sacramentalidade de Cristo e da Igreja e em a eficácia sacramental.

 

Referência Bibliográfica:

 

Catecismo da Igreja Católica - 1230 . Loyola 2017  

 

História da Igreja na Antiguidade, MONDONI, Danilo. Loyola 2ª Edição, Junho de 2006

 

KÉLLER, Miguel Ángel. Batismo, sacramento grande e santo. Col. Cadernos de Espiritualidade Agostiniana. Batismo. Petrópolis, 2003.

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