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Projeto "Católicos voltem para casa".

18/08/2017

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Sacramento: “Sinal visível da graça invisível” .

 

 

A Origem do Vocábulo Sacramento

 

          O vocábulo “sacramentum” foi introduzido na linguagem da Igreja nas versões africanas da Bíblia latina para traduzir o termo grego mysterion. Essa expressão aparece frequentemente no Novo Testamento, especialmente nas cartas aos efésios e aos colossenses, para indicar o plano divino da salvação revelado e realizado em Cristo.

Tertuliano, o famoso jurista africano, havia sido o primeiro dos Padres da Igreja em aplicar ao batismo e à eucaristia a denominação comum de sacramento. No entanto, o utilizava ainda em um sentido pagão como simples sinal de um pacto: assim como o "sacramentum" (tatuagem) era o sinal da consagração do soldado a serviço do imperador, pelo batismo o cristão passava a fazer parte da "militia Christi" (exército de Jesus Cristo) (1).

 

O ser Humano é um “animal simbólico” (E. Cassier).

 

          Em qualquer lugar ou tempo os seres humanos utilizam imagens carregadas de significado que nos transmitem informações nos mais variados planos, sejam eles subjetivos ou  objetivos, estimulando as nossas emoções e pensamentos. A maior parte das  informações que assimilamos, o fazemos de modo inconsciente e a linguagem do inconsciente é a linguagem dos símbolos. Notadamente, o que melhor diferencia o homem dos demais animais, é sua capacidade de dar vida e significação a todas as coisas e ao mesmo tempo, decifrar a mensagem do mundo, “não fosse os olhos do homem, as coisas não seriam mais que matéria opaca, os acontecimentos da vida não passariam de fatos brutos sem nenhum significado (2) ”. Na medida que o homem se faz capaz de interpretar as mensagens do mundo, se depara com a realidade invisível assinalada pela prática sacramental.

 

Sinal Sagrado

 

          Santo Agostinho visando explicar  o sacramento na Igreja,  direciona a questão para abordar o aspecto puramente teológico. É ele que estabelece o conceito clássico para sinal, ao definir: "Sinal é toda coisa que, além da impressão que produz em nossos sentidos, faz que nos venha ao pensamento outra ideia distinta" (A doutrina cristã 2, l, 1)

 

           Tal afirmação, nos permite  concluir que quando os sinais se referem às Realidades divinas, são chamados de  sacramento.  Assim sendo, é possível afirmar que Sacramentos são sinais sagrados. “São sinais  visíveis que indicam uma realidade invisível” (A doutrina cristã 3, 9, 13; A cidade de Deus IO, 5).

 

             Desta forma percebe-se que são incontáveis os sinais sagrados e estariam entre eles o sinal-da-cruz,  o lava-pés, o cuidado com os pobres, os ritos de catecumenato e muitos outros. Porém, ao se referir aos ritos litúrgicos da Igreja, Santo Agostinho manifesta um entendimento muito mais restritivo do que vem a ser sacramento. Assim se transcreve:

   

            “Na Carta 55, por ocasião da festa de Páscoa, diz ao seu interlocutor Genaro que Cristo deu ao seu povo tão-só uns poucos sacramentos. E menciona em particular  o sacramento do batismo e a celebração do sangue e do corpo do Senhor.   É provável que já esteja apontando, especificamente os sacramentos da Igreja. Entre estes sacramentos “litúrgicos” incluiriam também a crisma, a penitência, a ordem e o matrimônio. Ou seja, praticamente o septenário que temos hoje” .

 

             Para Santo Agostinho, os sinais sacramentais são constituídos de dois elementos:

 

  • Um elemento material: (“elementum”) que pode ser percebido pelos sentidos.

  • Um elemento formal: (“verbum”) a Palavra de Deus, a ação divina que capta a realidade significada.

 

            Conclui-se que a Palavra de Deus converte a materialidade das coisas em sacramento, ao dotar seu simbolismo natural de um significado e efeito que transcende a experiência comum”³ .

 

            Agostinho ao explicar a eucaristia afirma:

 

          “Eles (os discípulos) conhecem Cristo a partir do pão.  Não é qualquer pedaço de pão que tu vês que chega a ser o Corpo de Cristo, mas o pão que recebe a bênção de Cristo” (Sermão 234, 2).

 

          Aprofundando nesta linha, Agostinho formula a definição clássica de sacramento que se incorporará à doutrina da Igreja no Concílio de Trento (5): “Sinal visível da graça invisível”. Assim, como consequência lógica, podemos assumir que a ação sacramental conduz a graça divina.

 

“Podemos resumir assim a proposta de Agostinho:

  • Sacramento em sentido amplo: É um sinal sagrado pelo qual aquilo que é visto e experimentado corresponde a uma realidade espiritual mais profunda que chega a se expressar pelo próprio sinal.

  • Sacramento em sentido estrito: É a palavra visível de Deus recebidas nos ritos da Igreja. Assim como não se pode separar a palavra do seu significado, também não se pode separar o elemento externo visível, da realidade interna significada.” (4)

 

Nota da Fraternidade Agostiniana Leiga.

 

          Em sua Patrística Santo Agostinho definiu o conceito clássico  de sacramento que foi incorporado a doutrina cristã no Concílio de Trento (5) e Vaticano II (6).  A matéria possui uma natureza  complexa e é carecedora de uma abordagem mais profunda. O  Caderno de Espiritualidade Agostiniana, em que se baseia este estudo, nos convida a abordar  a Sacramentalidade de Cristo e da Igreja, a Eficácia Sacramental e a Imprescindibilidade do Sacramento, estudos que serão oportunamente trazidas aqui.

 

Entendendo Palavra

 

5 - Concílio de Trento: O Concílio de Trento foi o décimo nono conselho ecumênico reconhecido pela Igreja Católica Romana. Foi convocado pelo papa Paulo III, em 1542, e durou entre 1545 e 1563. Teve este nome, pois foi realizado na cidade de Trento, região norte da Itália. O Concílio de Trento foi uma reação da Igreja Católica à Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero na primeira metade do século XVI. Com o crescimento do protestantismo na Europa, a Igreja Católica buscou uma reação, que ficou conhecida historicamente como Contra-Reforma.

 

6 – Concílio Vaticano II: O Concílio Ecumênico Vaticano II foi o mais representativo dos 21 concílios da história da Igreja, com a participação de mais de dois mil bispos (Padres Conciliares), vindos de todo o mundo, e do qual resultaram 16 documentos. O Concílio, realizado entre 1962 e 1965, foi aberto pelo Papa João XXIII e concluído por Paulo VI e tinha como objetivo discutir a ação da Igreja nos tempos atuais, "promover o incremento da fé católica e uma saudável renovação dos costumes do povo cristão, e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do nosso tempo" e do mundo moderno.

 

Referência Bibliográfica:

 

1 - Caderno de Espiritualidade Agostiniana nº 40, pág. 5

2 - Caderno de Espiritualidade Agostiniana nº 40, pág. 4

3 - Caderno de Espiritualidade Agostiniana nº 40, pág. 6

4 - Caderno de Espiritualidade Agostiniana nº 40, pág. 7

 

Estudo 1 do Caderno de Espiritualidade Agostiniana – Rámon Sala, OSA, nº 40 - Federação Agostiniana Brasileira (FABRA) - Sacramentos, parte I e II - por Fraternidade Agostiniana Leiga -  Núcleo Nossa Senhora das Graças.

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